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Filósofo: Aprenda da Coruja!

Filósofo: Aprenda da Coruja!
Filosofar é alçar voo sobre a realidade e contemplá-la!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

ENCONTRO II - Surge a filosofia: os primeiros passos - Elaborado a partir do Estágio Supervisionado I

A filosofia pode ser, por assim dizer, uma criação exclusiva dos gregos, pois a Filosofia encontrou aí um ambiente um tanto “espiritual” particular e um clima político-cultural favorável. A filosofia possui três fontes na cultura grega.
  • Poesia = gosto pela harmonia, pela proporção e pela justa medida e um modo de fornecer explicações remontando às causas, mesmo que em nível fantástico-poético.
  • Religião = distinção entre religião pública (Homero e Hesíodo – deuses como forças naturais ampliadas na dimensão do divino, ou como aspectos característicos do homem sublimados) e religião dos mistérios (Orfismo – homem de modo dualista: alma imortal como demônio condenado a viver em um corpo sua tumba). O que agrupam ambas é a ausência de dogmas fixos e vinculantes em sentido absoluto, e de textos sagrados e intérpretes-guardiões desta revelação.
  • Condições sociopolíticas = ao criar as primeiras formas de liberdade institucionalizada e de democracia, tornaram possível o nascimento da Filosofia, que se alimenta especialmente da liberdade.

Frente aos constantes questionamentos dos indivíduos sobre a origem e finalidade do mundo, e a necessidade de compreensão de si mesmos, surge a Filosofia, que pretendia dar ao ser humano aparatos para responder a estes questionamentos. O que a difere das demais ciências é o fato de ansiar pela compreensão da totalidade, já que as demais ciências procuram a explicação das partes. A Filosofia propõe-se como objeto a totalidade da realidade e do ser, o qual só poderá ser respondido a partir da compreensão da “natureza”, do primeiro “princípio”, ou do primeiro “por que” das coisas. A filosofia é uma forma de conhecimento que prima pela compreensão da totalidade a partir do uso da racionalidade. Seu caráter é não contentar-se apenas com a coleta de dados e sua interpretação consequente, mas também a busca das causas do fenômeno em estudo. A finalidade da Filosofia é o “puro desejo de conhecer e contemplar a verdade”.
A grande descoberta realizada pela Filosofia é a possibilidade de conhecer a realidade e o ser em sua totalidade por meio de uma aproximação racional de conceitos. Tudo o que antes era explicado e explicitado por meio de poesias e mitos precisa ser explicado racionalmente. Há a passagem do saber mítico (alegórico) para o pensamento racional (logos), de forma ordenada e ao longo de um período de transição, onde a Filosofia usa-se aos poucos dos mitos para explicar a realidade e fazer relações plausíveis com a racionalidade, até o abandono completo deste tipo de saber, prevalecendo apenas o saber de cunho racional. O que fundamenta esse processo de passagem é o fato de que “a força da mensagem dos mitos reside, portanto, na capacidade que eles têm de sensibilizar estruturas profundas, inconscientes, do psiquismo humano [...]” (COTRIM, 2006, p. 67). De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da Filosofia é conhecida como período pré-socrático (623-546 a.C. a 468-399 a.C.).
A primeira preocupação elaborada e trabalhada pela Filosofia Ocidental é de ordem cosmológica, por isso, os primeiros filósofos são conhecidos como naturalistas.


Qual é o princípio?
Como dele derivam as coisas
MONISTAS (há um princípio que se encontra ou deduz da natureza)
TALES DE MILETO
É a água

ANAXIMANDRO DE MILETO
É o ápeiron
Por separação dos contrários por uma espécie de injustiça
ANAXÍMENES DE MILETO
É o ar infinito
Por condensação e rarefação
HERÁCLITO DE ÉFESO (Tudo flui; o ser não é mais do que vir-a-ser)
É o fogo-lógos-natureza, símbolo do devir de todas as coisas e da razão-harmonia que governa seus movimentos
Por oposição, nos particulares, segundo harmonia no todo
PITAGÓRICOS
É o número e os elementos do número (=limite/ilimite)
Segundo relações harmônico-matemáticas no todo e nas partes
XENÓFANES DE COLÓFON
É a terra (mas só para o mundo)

ELEATAS
PARMÊNIDES (O ente é; pois é ser e nada não é)
O ser é o princípio e fora do princípio nada existe
A rigor não existe nenhum principiado (= acosmismo), enquanto o devir testemunhado pelos sentidos não existe
ZENÃO DE ELÉIA
MELISSO DE SAMOS
PLURALISTAS (há muitos princípios semelhantes ao ser eleático)
EMPÉDOCLES
Os quatro elementos: ar, água, terra e fogo
Por efeito do Amor e do Ódio

ANÁXAGORAS
As “raízes” ou homeometrias
Por efeito do movimento impresso pelo Nous
LEUCIPO (atomista)
Os átomos
Por efeito do movimento do qual os átomos estão naturalmente dotados
DEMÓCRITO (atomista)
FÍSICOS ECLÉTICOS (o princípio é o único e deduzido da natureza)
DIÓGENES DE APOLÕNIA
É o ar infinito e inteligente
Por causas finais
ARQUELEU DE ATENAS

Após o desenvolvimento dos pré-socráticos, que buscavam explicações racionais para o universo, inicia-se o processo de interesse pelo homem e suas relações políticas (homem e sociedade), essa nova fase é marcada inicialmente pelos sofistas (palavra que significa sábio, porém em detrimento da ação destes tornou-se um termo pejorativo). Estes eram professores e tinham como objetivo o desenvolvimento da argumentação, da habilidade retórica, do conhecimento de doutrinas divergentes. Tinham como proposta transmitir todo um jogo de palavras, raciocínios e concepções que seria utilizado na arte de convencer as pessoas.
Por assim dizer, os sofistas deslocam o interesse da Filosofia da natureza para o homem, instaurando um novo clima cultural criticando ideias conceituais como a verdade e o bem. Eles consideram a virtude como objeto de ensino, apresentando-se como mestres da virtude. Pode-se dizer que eles são o sintoma de uma aristocracia em crise e da ascensão política de novas classes. O importante é o fato de que os sofistas promovem a mudança de paradigma: do cosmológico para o antropológico.
Nesse plano surge Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.) que nada deixa escrito, mas sua grande contribuição para a Filosofia o torna um marco para toda a História da Filosofia que o concebe como um divisor de águas. Sócrates procurava conversar com todos, velhos ou moços, nobres ou escravos, buscando fomentar o encontro com o saber em seu interlocutor. O procedimento adotado por Sócrates está “sentado”, por assim dizer, na maiêutica que procura fazer emergir da capacidade racional do ser humano o conhecimento, o saber propriamente dito. O processo de Sócrates é conhecido da seguinte forma: ele faz o interlocutor apresentar toda sua argumentação e a partir daí começa a questioná-lo, a “pergunta” insere-se como mecanismo desmistificador, de forma “irônica”, levando seu interlocutor a perceber a falha de arguição e consistência que possui. E começa a fomentar o seu interlocutor a produzir um conhecimento sobre dado conceito, levando-o ao exercício do pensar e construir saberes. Os principais temas abordados por Sócrates em sua interlocução estão fundados sobre a questão moral (a justiça, a liberdade, etc.). O processo maiêutico procura libertar a alma humana de preconceitos teoréticos, libertando-a da ignorância. Para Sócrates a palavra é o que dá sentido e significado a algo, por meio de um conceito. Vale lembrar que este posicionamento questionador de Sócrates, levou-o até o cálice de cicuta, pois foi acusado de corromper a juventude.
A seguir de Sócrates tem Platão (428 a.C. – 347 a.C.), seu discípulo que continua o trabalho de seu mestre, e sua principal contribuição a História da Filosofia é ter construído um dos primeiros sistemas filosóficos que busca explicar o fenômeno do conhecimento. Porém a finalidade do conhecimento está em voltar à prática e orientar a ação moral dos indivíduos. O dualismo é a característica predominante do pensamento platônico. Existem dois mundos: um inteligível (mundo das Ideias – essências eternas, divinas, imutáveis das coisas) e o sensível (produzido pelo Demiurgo, o artífice soberano, plasmando a matéria informe à imagem das Ideias). Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das Ideias ou Teoria das Formas. Ao contrário das coisas deste mundo, cópias das Ideias, na alma humana reaviva-se a lembrança das Ideias que haviam sido contempladas numa vida anterior (mito da caverna).
Também a concepção política de Platão é ideal e fundamenta-se na divisão das tarefas e dos trabalhos entre as classes de trabalhadores, guerreiros e magistrados, que correspondem às almas concupiscíveis, irascíveis e racionais do indivíduo. Pela harmonia entre as três classes, nasce o alcance do Bem, do Justo e do Verdadeiro.
A seguir de Platão tem-se a elaboração de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) que propõe uma visão de mundo um pouco diversa da de Platão, concebendo o mundo como um sínolo (junção de matéria e forma). Aristóteles foi o primeiro a elaborar um sistema completo de lógica. Opondo-se ao idealismo platônico, demonstrou que as ideias não podem existir separadas das coisas, mas são nelas imanentes. E a relação entre coisa e ideia altera-se em relação de matéria e forma: a primeira é potencia pura; a segunda, determinação em ato.
A realidade é unidade de matéria e forma. O devir das coisas procede do transito da potencia ao ato. Somente Deus é Ato puro, único, eterno. O homem, como todos os seres, é constituído de matéria e forma: a matéria é o corpo; a forma, a alma, que é dotada de três funções: vegetativa, sensitiva e intelectiva. Segundo Aristóteles, a felicidade do homem consiste na atividade da razão por meio do exercício das virtudes dianoéticas, ou do intelecto, e as virtudes morais.

REFERÊNCIAS:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003.
MONDIN, Battista. Introdução à filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. São Paulo: Paulus, 1980.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. São Paulo: Saraiva, 2006.
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: filosofia pagã antiga. São Paulo: Paulus, 2003.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ENCONTRO I – Homo intelligibilis - Elaborado a partir do Estágio Supervisionado I

A humanidade é caracterizada pela constante necessidade em compreender a si e a realidade em que a mesma está inserida, por isso, surgem diversas ciências a fim de explicar a realidade, considerando desde o ser humano até suas construções. A pergunta motivadora, por assim dizer, da busca humana pelo saber está fundamentada em três perguntas básicas: “De onde vim? Quem sou? Para onde vou?” Fruto destas três questões se tem toda uma História do pensamento humano em busca de suas possíveis explicações.

Isso diz respeito diretamente à capacidade humana de saber algo sobre si e o mundo. Que por sua vez , corresponde com a dimensão racional do ser humano, que por meio do pensamento estrutura meios de compreensão, instrumentos que lhe possibilitem “conhecer”. O ato de conhecer é desenvolvido pelos indivíduos em sociedade, o qual depende de eventos humanos, ocorrendo dentro de uma consecução de fatos históricos, o “devir”. Por isso, a ciência é concebida como o meio natural dos seres humanos compreenderem a realidade histórica. É também tida como algo natural, por ser consequência do raciocínio elaborado pela razão que é inata à espécie humana. É preciso formular aqui que a ciência só é configurada e considerada como tal, quando a mesma for construída por meio do rigor lógico e universalmente aceita, o que configura a “verdade”. Vale lembrar que a verdade nem sempre está presente nas construções da ciência, pois muitas elaborações científicas não correspondem ao rigor lógico, quando estão ligadas ao interesse de algum grupo.

Quanto ao conhecimento tem-se que ele pode ser dividido de acordo como é formulado. O conhecimento “surge do ato de encontro ‘objeto-sujeito’ culminando no desenvolvimento de uma ideia”. A forma como ele se procederá depende do ponto de vista de quem conhece, podendo abordar a partir de uma experiência observada ou elaborada, para chegar à construção da ideia, ou abordar a partir de uma ideia, ou conceito a compreensão de uma dada realidade.  Ex: experimentos de novas fórmulas medicamentosas e/ou compreensão de uma fenômeno social a partir de uma leitura crítica da sociedade, respectivamente.

Existem 4 tipos de conhecimento: EMPÍRICO (construído pelo saber coletivo, das tradições ou mesmo de uma religião), CIENTÍFICO (construído pela experiência metodicamente orientada proporcionando segurança, controle e sistematização eficiente), FILOSÓFICO (origina-se do raciocínio, procurando suprir a lacuna da ciência na explicação do universo) e TEOLÓGICO (desvelamento do mistério; relativo a Deus, revelado e aceito pela fé). É importante situar aqui que o conhecimento pode ser dito possuidor de graus sendo estes dóxa (convicções individuais) e epistéme (conhecimento obtido pelo método científico).

É preciso ter claro que a primeira forma de conhecimento dito cientifico, e elaborado pela humanidade é de cunho racional apenas, fruto do desenvolvimento da Filosofia. Quanto a isso, a Filosofia é uma forma de conhecimento preocupada em estabelecer não só a compreensão da realidade e do indivíduo, mas também a compreensão das formas como se procede o conhecimento humano. A Filosofia é a busca de compreensão do próprio ato de conhecer, por assim dizer é: “o conhecimento do conhecimento”.  Só para relembrar a Filosofia em seu sentido etimológico é “amor ao saber – amor à razão”.

Contudo, dentro da Filosofia tem-se algumas áreas temáticas: Lógica (lógica – leis do raciocínio), Filosofia especulativa (cosmologia – o mundo e o universo, psicologia – homem, gnosiologia – conhecimento, ontologia – o ser, a existência, teodiceia – existência e natureza de Deus), Filosofia prática (estética – o belo e as artes, moral – a ação humana). Assim sendo, a Filosofia, por assim dizer, é aquela área do conhecimento que se dedica a diversas discussões produzindo a potencialidade de transversalidade nas discussões. O conhecimento é construído pelo indivíduo em sua relação com o objeto, e é a transformação de objetos observáveis (que podem ser materiais ou abstratos) em conceitos (ou ideias, puramente racionais).

sábado, 12 de março de 2011

O problema do ensino na Filosofia Contemporânea


O problema do ensino de filosofia perpassa no período contemporâneo por um caminho permeado pelo problema da educação. Por isso se faz necessário aqui estabelecer um momento de diálogo e breve reflexão sobre os principais pontos que influenciam a presente constituição do ensino, buscando resgatar o positivismo e o socialismo, buscando salientar algumas de suas imbricações na contemporaneidade, pois após o Iluminismo, dentro da sociedade burguesa, tomam forma duas forças antagônicas a partir do final do século XVIII. De um lado, o movimento popular e socialista, e de outro, o movimento elitista burguês. Estas duas correntes chegam ao século XIX sob os nomes de Marxismo e Positivismo. Mas outra forma de pensamento desponta da junção e reestruturação da metafísica clássica: Fenomenologia e Existencialismo.

PENSAMENTO ILUMINISTA

Caracterizado pelo apego à racionalidade e à luta em favor das liberdades individuais, contra o obscurantismo da Igreja e prepotência dos governantes.

ROUSSEAU: A educação não devia ter por objetivo a preparação da criança com vista ao futuro nem a modelação  dela para determinados fins: devia ser a própria vida da criança. Mostrava-se contrario à educação precoce. Era preciso ter em conta a criança, não só porque ele é o objeto da educação – o que a pedagogia da essência também se dispunha a fazer – mas porque a criança representa a própria fonte da educação.

HEGEL: Há a oposição ao subjetivismo e intucionismo, tendo o real como razão e história. A grande contribuição de Hegel para a aprendizagem é seu sistema dialético (tese+antítese=síntese), no qual ele vê a “mola” do real, pois é partir deste ciclo constante que a História humana se constrói. Outro fator de igual importância é a autoconsciência filosófica que é tida como finalidade da história do mundo, por meio de sua estruturação dialética. Para ele a educação é um humanismo integral, onde o homem é visto como um desenvolvimento dialético. O desenvolvimento da consciência passa da naturalidade à objetividade do espírito mediante um contato cada vez mais rico e amplo com a realidade histórico-social, que se torna a “segunda natureza” do homem. Nesse processo o ponto de chegada é constituído pela realização de uma síntese harmônica entre o eu e o mundo histórico, atingido pela vontade de ligar-se ao plano da ética social, na participação da vida cultural e reconhecimento do trabalho como atividade especifica do homem enquanto gênero. O homem só reconhece a si mesmo no vinculo com a realidade histórico-social (como cultura e civilização). O homem precisa sair de si e mergulhar na objetividade histórica. O homem alheia-se a si e estranha-se na realidade, superando o seu próprio ser natural, e participa da experiência da humanidade em geral. Assim, o aprendizado deve ser entendido como dura disciplina, como superação do educar pelo pensar e pela produção autônoma. O habito é o mecanismo central da educação. o homem integralmente é formado e caracterizado pela harmonia entre natureza e razão; a formação humana se dá por meio do contato com a cultura.

O PENSAMENTO POSITIVISTA

Nesta perspectiva busca consolidar-se a concepção burguesa de educação, onde o homem é visto e compreendido conforme modelos sociais, ou seja, a identidade do indivíduo está diretamente ligada ao equilíbrio da sociedade, assumindo este um papel de parte funcional da mesma. Para o positivismo, o educar está ligado com a necessidade de preparar a pessoa para a conformação, socialização e integração na sociedade, de forma a torna-la socialmente produtiva. O principal valor orientado por este sistema de pensamento é de que a pessoa deve ser regulada – in interiore homini – pelo cosmo de valores sociais (políticos-ideológicos = econômicos e éticos): participação e produtividade.

Os principais expoentes desta forma de pensar sobre a educação foram:

COMTE: Possuía uma forma de ver a evolução da humanidade a partir de três estados: teológico, metafísico e positivo. É a partir desta perspectiva que ele deduz um sistema educacional, onde estes três estados são vistos como fases que todo ser humano deverá passar, ou reproduzir em sua vida na construção das ciências. Na 1ª fase – infância – aprendizagem sem caráter formal. Aqui há a transformação do fetichismo natural inicial numa concepção abstrata de mundo. Na 2ª fase – adolescência – haveria o adentramento no estudo sistemático das ciências. Aos poucos o homem na idade madura chegaria ao estado positivo passando do metafísico. Não mais abraçaria a religião de um Deus abstrato, mas a da Humanidade, o Grande Ser. A educação seria o caminho para a solidariedade humana. Porém o problema que ocorreu ao sistema de Comte é o fato de que as crianças não imaginavam explicações de forças divinas para reger o mundo, nem jovens mostravam afeto pelas abstrações metafísicas. Mas a grande contribuição de Comte para a educação é o fato de que as ciências tanto da natureza quanto humanas deveriam se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto ideológico. A ciência precisava ser neutra, pois leis naturais, em harmonia, regeriam a sociedade. Assim, o positivismo seria a doutrina que consolidaria a ordem pública, desenvolvendo nas pessoas uma “sábia resignação” ao seu status quo.

SPENCER: Buscou saber que conhecimentos realmente contavam para os indivíduos se desenvolverem. Concluiu que os ensinamentos adquiridos na escola necessitavam possibilitar uma vida melhor com relação à saúde, trabalho, família, para a sociedade em geral. A tendência cientificista na educação continuava, mas a introdução das ditas ciências no currículo escolar ocorreu vagarosamente, resistindo à dominação da filosofia, da teologia e das línguas clássicas. A tendência cientificista só tomou força a partir do desenvolvimento da sociologia em geral e da sociologia da educação. Afinal, o positivismo negava a especificidade metodológica das ciências sociais em relação às ciências naturais, identificando-as.

DURKHEIM: Educação como imagem e reflexo da sociedade, sendo um fato fundamentalmente social, dizia ele. Para ele a sociedade pode ser comparada com um animal: possui um sistema de órgãos diferentes, onde cada um desempenha um papel específico. Alguns órgãos seriam naturalmente mais privilegiados que outros. Esse privilégio, por ser natural, representaria um fenômeno normal, como em todo organismo vivo onde predomina a lei da sobrevivência dos mais aptos e a luta pela vida, em nada modificável. Esse conjunto de ideias revela o caráter conservador e reacionário da tendência positivista na educação. Vale aqui ressaltar que Durkheim opõe-se a Rousseau quando afirma que o homem nasce egoísta e só a sociedade, através da educação pode torná-lo solidário. Por isso, a educação é uma ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontravam ainda preparadas para a vida social.

ENFIM, o positivismo previa a substituição da manipulação mítica e mágica do real pela visão científica, estabelecendo uma nova fé, a fé na ciência, que subordinou a imaginação científica à pura observação empírica. Seu lema sempre foi “ordem e progresso”, pois para progredir é necessária ordem, e, mesmo a pior ordem é sempre melhor que a desordem.

O pensamento socialista

Formou-se no seio do movimento popular pela democratização do ensino, propondo uma educação igual para todos. A chave de leitura para esta perspectiva de educação é o fato de que a sociedade é livre, bem como o homem, sendo, enfim percebível que a convivência social não depende da organização de um organismo, propriamente dito, mas de uma comunidade. Assim, a educação assume o papel de ser aquele meio que levará o indivíduo a liberdade consciente e autônoma, e por fim a sua emancipação. É importante salientar aqui na visão socialista de sociedade ainda se prevê a existência do trabalho, porém ele é visto sobre uma ótica diversa daquela apresentada pelo positivismo: o trabalho é visto como algo livre e consciente. O que leva a construção de uma sociedade sem divisão de classes.

MARX E ENGELS: A problemática educativa foi colocada de modo ocasional e fragmentário em suas obras, mas sempre no contexto da crítica das relações sociais e das linhas de sua modificação. Para eles a educação deve ser pública e gratuita para todas as crianças, segundo estes princípios: 1º eliminação do trabalho delas nas fabricas; 2º associação entre educação e produção material; 3º educação politécnica que leva à formação do homem omnilateral abrangendo três aspectos: mental, físico e técnico, adequados à idade das crianças jovens e adultos; 4º inseparabilidade da educação e da política, portanto, da totalidade do ser social e da articulação entre tempo livre e tempo de trabalho, isto é, trabalho, estudo e lazer. Pode Marx concordar com o trabalho infantil, mas este deve ser regrado cuidadosamente (9 a 12 anos = 2h de t/dia; 13 a 15 = 4h de t/dia; 15 a 17 = 6h p/dia). Uma questão muito interessante apontada por Marx é: “Devemos mudar a educação para alterar a sociedade, ou a transformação social é a primeira condição para a transformação educativa?” De um lado seria necessário mudar as condições sociais para se criar um novo sistema de ensino; de outro, um novo sistema de ensino transformaria as condições sociais. Para o desenvolvimento total do homem e a mudança das relações sociais, a educação deveria acompanhar e acelerar esse movimento, mas não encarregar-se exclusivamente de desencadeá-lo, nem de fazê-lo triunfar.

GRAMSCI: Evocava a ideia de uma escola para a unidade e centralização democrática. Gramsci propunha uma escola crítica e criativa, devendo a mesma ser clássica, intelectual e profissional. Afirma que a coação e a disciplina são necessárias na preparação de uma vida de trabalho, para uma liberdade responsável. A disciplina para ele é assimilação lúcida da diretriz a ser realizada. É importante salientar que para Gramsci, a escola deveria ser única, estabelecendo-se uma primeira fase com o objetivo de formar uma cultura geral que harmonizasse o trabalho intelectual e o manual. Na fase seguinte, prevaleceria a participação do adolescente, fomentando-se a criatividade, a autodisciplina e a autonomia. Depois viria a fase de especialização. Nesse processo tornava-se fundamental o papel do professor que devia preparar-se para se dirigente e intelectual. O desenvolvimento do Estado comunista se ligava intimamente ao da escola comunista: a jovem geração se educaria na prática da disciplina social, para que a realidade comunista se tornasse um fato.

Pensamento fenomenológico existencialista

Na perspectiva apontada por essa corrente tem a preocupação em compreender a educação ligada com a antropologia. Há a investigação do que é empírico no homem e a educação é vista como ação que desenvolve no indivíduo o que é na sua essência verdadeira. A filosofia existencialista provoca um grande movimento de renovação da educação, pois agora esta consiste em afirmar a existência do indivíduo aqui e agora. É importante lembrar que a existência do ser humano não é igual à de outra coisa qualquer, pois está em constante formação, o constante sendo; não é estática. Assim, o homem precisa se decidir, escolher, comprometer-se, precisa encontrar-se com o outro. A fenomenologia contribuiu para recolocar na educação a preocupação antropológica. Fenômeno é o que se mostra, o manifesto. Portanto, a fenomenologia preocupa-se com o que aparece e o que está escondido nas aparências, uma vez que aquilo que aparece nem sempre é, mas a aparência faz parte do ser. O método fenomenológico procura descrever e interpretar os fenômenos, os processos e as coisas pelo que eles são, sem preconceitos. O pressuposto vital à atitude fenomenológica é aquele em que toda compreensão é uma relação vital do interprete com a coisa mesma. Daí a complementaridade necessária entre fenomenologia e práxis. A fenomenologia desenvolveu principalmente a interpretação de textos.

KIERKGAARD: O indivíduo não se repete, sendo pessoa única, condenada a ser ela mesma, devendo recomeçar perpetuamente uma luta dramática, já que aspira algo de mais elevado do que ela própria.

SARTRE: Preocupação inicial com a salvação individual, chegando, por fim, a defender o socialismo . O homem é absoluto, não havendo nada de espiritual acima dele. Por determinadas condições biológicas, a sua existência precede a essência, o que significa que a criatura humana chega ao mundo apenas biologicamente e só depois, através da convivência, adquire uma essência humana determinada. O homem sofre a influencia não só da ideia que tem de si, mas também de como pretende ser. Esses impulsos orientam-no para um determinado tipo de existência, pois um indivíduo não pode ser outra coisa senão aquilo em que se constitui. Como não há nada superior a ele, sua marcha se depara com o nada.

RICOUER: O homem afirma-se e reconcilia-se com seu mundo, sua unidade. A reconstituição dessa unidade se dá à base do reconhecimento da transcendência, que é o reconhecimento do mistério. O mistério não é incompatível com a clareza e sim torna possível a clareza profunda. Ricouer se ocupa da voluntariedade e do problema do mal, compreendendo-os como fenômenos humanos, enquanto o humano esteja ligado ao mundo e suspenso no transcendente.